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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Crônica: Uma questão de peso

Uma questão de peso
(Ilustração: Alberto de Souza)

Baleia. Balofo. Rolha-de-poço. Por esses e outros adjetivos, uma coisa é certa: ninguém gosta de ser (ou de se sentir) gordo. Mas, gostando ou não, pesquisas recentes feitas aqui e fora do Brasil provam que o mundo nos últimos anos anda com uns quilinhos a mais. E o que é mais alarmante: isso não vale só para os adultos, crianças e adolescentes também estão acima do peso.
O problema de ser gordo parece não se limitar apenas a seu peso e suas medidas. Ao que tudo indica, há uma conspiração contra a felicidade de quem é. Quem é gordo não pode ser feliz. Não estamos ainda tratando de questões de saúde. Esse são outros quinhentos. Estamos tratando aqui de uma questão ampla, que perpassa a apreciação estética e vai até ao preconceito contra quem apresenta sobrepeso.

Esse olhar punitivo contra quem é efetivamente (ou virtualmente) gordo tem efeitos devastadores. No entanto, ao contrario do que se pensa, tais efeitos podem ser neutralizados. Para isso, basta ampliar nosso campo de visão, e irmos dar uma espiadela no passado.

No renascimento cultural do século XVII, as mulheres gordinhas eram retratadas como as mais belas, isto é, eram mais valorizadas esteticamente, pois isso era sinal de riqueza, saúde e satisfação. Um exemplo disso, é sua figura mais representativa, Giocconda, a Mona Lisa, pintada por Leonardo da Vinci.

De volta ao presente, em nossa moderna sociedade ocidental, vemos que não somente as belas artes são as responsáveis por ditar o que é belo ou não. Agora a televisão tem um alcance incomparavelmente maior. É ela que irá, de certa forma, ditar o padrão de beleza. E basta uma rápida olhada nas novelas, sobretudo aquelas voltadas para o público jovem, para perceber que não há lugar para quem é gordo – não além daquele reservado para todos os excluídos: o de chacota. Nesse sentido, a tentativa de evitar esse espaço de ridicularização, tem motivado muitos a buscar incessantemente o padrão de beleza estabelecido e reafirmado pela mídia, o que tem levado ao aumento de doenças do corpo e da alma, como a anorexia, a bulimia, a vigorexia e depressão.

No outro extremo da questão, subtraindo-se da reflexão preconceitos e avaliações puramente estéticas, não podemos perder de vista que a obesidade é mesmo uma doença. E séria. Por obesidade, entende-se o acúmulo excessivo de gordura de tal forma que comprometa a saúde do indivíduo. Essa doença crônica é acompanhada de múltiplas complicações, tais como a diabetes mellitus, hipertensão arterial, alterações nos ossos e músculos e um aumento no índice de mortalidade.

Recentemente, no Brasil, observou-se que, entre as décadas de 70 e 80, houve uma queda no índice de desnutrição infantil de 19,8% para 7,6%, enquanto aumentou o número de adultos obesos de 5,7% para 9,6%. E ainda mais recentemente, ao comparar-se a prevalência de sobrepreso, nas décadas de 70 e 90, nas regiões sudeste e nordeste, constatou-se o aumento de 4,1% para 13,9%.

Assustador isso, não? Mas pode se tornar algo ainda pior quando nos damos conta que nós também engordamos as estatísticas. Estudos inéditos, feitos aqui mesmo em Itaperuna, constataram que 13,5% dos 37 adolescentes analisados, entre meninos e meninas, estão com sobrepeso ou obesos. Levando-se em conta que a causa primária da obesidade é produto do desequilíbrio crônico entre a ingestão alimentar e o gasto energético, pode-se dizer que essa doença é resultado de um elevado consumo de energia e pouca atividade física.

Isso revela que nós, e grande parte do mundo, estamos mais sedentários. Atualmente, apesar de todas as desigualdades que ainda existem, estamos comendo mais e vivendo com mais conforto. Pode-se dizer que ainda não aprendemos a lidar com isso.

Nos Estados Unidos, 54% da população adulta e o número relativamente parecido de adolescente não pratica atividade física regular. No Brasil, esses números são ainda piores, sendo que quase a metade dos escolares não tem aulas regulares de Educação Física e o índice de sedentarismo entre os adolescentes é entre 85% e 94% para meninos e meninas, respectivamente.

A atividade física tem se mostrado como uma das formas de combater a obesidade, além de auxiliar no controle da ansiedade e da depressão, proporcionando a elevação da auto-estima e gerando bem-estar e saúde.

Há um porém: o tratamento da obesidade pode exigir uma equipe multidisciplinar. No que diz respeito ao profissional de Educação Física algumas dicas simples podem ser dadas: usar escada em vez de elevador; descer um ponto antes do destino e completar o percurso a pé; encontrar uma atividade física ao mesmo tempo prazerosa e que tenha um gasto calórico significativo (por isso, sinuca e boliche não valem!); caso não seja possível combinar caminhada ou corrida à musculação, dar preferência as primeiras já que exigem um maior gasto calórico; fazer atividades que envolvam grandes grupos musculares.

Enfim, o objetivo desta reflexão é tentar mostrar que produto e embalagem podem ganhar uma dimensão especial. Aproveitando essa metáfora de consumo, aqui, exterior e interior ganham a mesma relevância, mas, por argumentos diferentes dos apresentados por aí. Acreditamos que uma embalagem danificada pode comprometer seu conteúdo. Da mesma forma que um conteúdo ruim, mesmo em uma boa embalagem, na melhor das hipóteses, resultará em uma decepção.

Por essas e outras, devemos cuidar de nosso corpo por questões de saúde, não somente por estética. Corpore sano, mente san.

"A nossa intenção é ajudar a desenvolver a sociedade e contribuir para a felicidade humana."
Texto: Luciano Antonacci e Bruno José

terça-feira, 28 de julho de 2009

Crônica sobre o amor



Prólogo


– Isso de mandar carro de telemensagem é uma coisa tão brega! – pensei alto ao presenciar a chegada do espalhafatoso “carro-cupido”, que fez parar a aula no Instituto naquela tarde.

Nosso diretor, um dos vários espectadores da cena, capturou o pensamento precipitado, e, indicador e polegar unidos, agitando uma pitada no ar, sentenciou:

– Brega, não. São adolescentes. – e, com expressão querúbica, arrematou expansivamente – È l’amore...

O italiano é por minha conta, o idioma era o português das planícies dos goytacazes. É que, após um olhar mais cuidadoso para aquele jovem casal, que trocavam beijos apaixonados no pátio, e a categórica asserção do diretor, me convenci de que cairiam feito uma luva para a ocasião violinos e um acordeom – em serenata à italiana. Entretanto, devido às implicações da vida moderna – mutatis mutandis –, eis ali o aparatado e ruidoso carro de som – Fiat, ao menos. Toda a composição daquela cena fez sair dos bastidores da minha cachola a desassossegada e repetente questão do amor. E fiquei a ruminar umas ideias.

Reflexão

À magnífica pilha de um sem-número de reflexões parciais e de utilidade duvidosa sobre o amor, arrogo a liberdade de acrescentar mais uma. Essa com uma diferença frente às mais recentes: não nega o amor, mas afirma-o. E o faz por meio de argumentos há tempos fora de moda: a defesa de sua imutabilidade e eternidade.

O amor é eterno. Não muda. E duvido que algum dia mude. O amor é o mesmo sempre e, para sempre, o mesmo. Intenso e cordial. Combativo e delicioso. Tanto aqui, como na China. Mas antes de alguém se armar contra esse argumento, por não acreditar na permanência de coisa alguma, confio-lhe algo transitório: os amantes. Esses, sim, mudam. E mudam mesmo. Mudam até sem querer.

Os amantes estão para o amor, como os marujos de uma pequena embarcação estão para uma ilha desconhecida. Aos olhos destes, a ilha, pequenina e distante, inquieta e esquiva, parece dançar sobre as espumas do mar. Ora afastando-se, ora aproximando-se deles. Truque de ilha desconhecida: obviamente quem se move é o barquinho, agitado pelo mar – co-autor no truque.

Nessa alegoria, entenda-se o mar como o tempo. Ambos, abismos. Abismos que tragam as vontades humanas, implacavelmente.

Poucos marujos, e amantes, se dão conta dessas coisas, pelo menos enquanto maravilhados diante da ilha, ou do amor. Quem sabe, empenhem-se por evitar tais pensamentos. Mas, mesmo sem querer, todos convivem com sua presença sinistra. E, no último instante, talvez, adivinhem.

Quanto à ilha? Permanecerá para sempre naquele canto de mar, tal qual foi vista pela primeira vez – imperturbavelmente ilha –, assim como o amor no tempo. Já os marujos e os amantes, as intempéries da vida cuidam por torná-los outros. Por vezes, irreconhecíveis.

Se essa minúscula reflexão encontrar acolhida em algum espírito, é certo que encontre também alguma tristeza. O que não é de todo ruim, mas pode conduzir ao abatimento. E, sim, isso seria ruim. Como tal efeito não é a intenção desta crônica, a reflexão deve seguir rumo a um desfecho mais animador, sem abrir mão, no entanto, de seu compromisso dialético, e do emprego das ilustrações náuticas.

Assim, continuam a ilha e o amor, que não mudam. Os marujos e os amantes, que mudam. O mar e o tempo, que são abismos. Mas agora a vontade – irmã caçula da necessidade e gêmea da coragem – deixa de ocupar um papel secundário na alegoria e ganha relevo. A vontade funciona feito um tônico milagroso, ou melhor, feito um xarope expectorante para o espírito dos marujos e amantes, e para o leitor abatido.

A vontade verdadeira é capaz de fazer os espíritos eliminarem todo e qualquer desanimo, ou outro sentimento inimigo do amor. De acordo com sua origem, “expectorar” significa “lançar fora do peito”, e por contiguidade, do coração. Daí a escolha pelo xarope. Embora fuja às ilustrações náuticas, a comparação contribui para a peroração do raciocínio, à medida que contribui para um efeito restaurador do propósito original da crônica.

Voltemos à pequena embarcação. Agora basta aos marujos-amantes ingerirem algumas colheradas de vontade diariamente e terão peito de aço e fôlego de nadador para continuar enfrentando o mar toda vez que desejarem aportar na ilhazinha do amor, ou ainda, nas ilhazinhas do amor.

Se é fácil? Nem de longe! E, no final das contas, mesmo chegando lá, quem escapar ao abismo do mar, não escapará ao abismo do tempo. Mas, de qualquer maneira, a ideia de terminar em uma bela praia tropical parece ser muito mais agradável que ficar à deriva e acabar virando comida de peixe, mesmo que metaforicamente falando. Enfim, esse é o tipo de reflexão que resulta da superexposição ao gérmen do amor – muito frequente onde há adolescentes em profusão –, e também do gosto por filmes de piratas e ilhas com tesouros escondidos. Daí a recorrência das ilustrações náuticas – exceto o xarope.


Bruno José – 13/07/2009

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Crônica: 1 x 13

1 x 13


Que perdemos a partida não se discute. Mas o jogo, esse são “outros quinhentos” – que vale à pena discutir.

Tanto no futebol quanto na vida, esse negócio de ser ou não ser é apenas parte da questão. Porque a questão mesmo, de cabo a rabo, é bem maior – e, toda ela, atravessada por um sem-número de “entretantos” e reveses, que vêm em torrentes. Nonsense demais? Explico.

Quem já não testemunhou empates que, conquistados de adversários “de peso”, ou efeitos de uma recuperação milagrosa, avultam na galeria de nossa memória não como empates apenas, mas como verdadeiras vitórias morais? Ou vitórias que, resultantes de confrontos levados em “banho-maria” – sem paixão nem brilhantismo – não convenceram ninguém e caíram no esquecimento?

Que se dê a César o que é de César. No torneio de Campos, os garotos de lá fizeram uma grande partida. Atacaram nossa meta com uma verdadeira fuzilaria: foram 13 gols. Mas, como já foi dito, essa é apenas parte da questão, uma fração do acontecido. Eis aqui a questão por inteiro.

Desde a saída de Itaperuna, já era possível sentir a eletricidade no ar.
No ônibus, meninos e meninas cantavam, dançavam, batucavam, fazendo uma algazarra contagiante. Nossos jogadores não pareciam ir bater à casa de um adversário tecnicamente superior, aceitar o convite para um certame comemorativo dos 100 de sua magnífica trajetória. Não. Meninos e meninas, todos, iam porque iam. Avançavam ao encontro de algo que não sabiam – porém, maior.

No caminho, enquanto tentávamos infrutiferamente compor um hino para o nosso time – faltou-nos Fábio com seu teclado de um bilhão de dólares –, o treinador Luciano explicou-me que não tivera tempo suficiente, nem as melhores condições, para preparar os garotos – contara para o torneio com menos de três semanas, uma quadra emprestada e cerca de uma dúzia de garotos bem-intencionados, os únicos voluntários para a batalha. Não esperava nem de longe uma partida fácil. No entanto, estava satisfeito com o empenho de todos até ali.

Ao chegarmos a Campos, descobrimos que tínhamos sido a única equipe de
futsal a atender o chamado do aniversariante centenário – e olha que até aquela data não havíamos completado nem dois meses.

A atmosfera de encantamento continuava. Meninos e meninas, juntos com os demais integrantes da comitiva, agora percorriam animadamente o interior do
campus, observando e sendo observados, fazendo contato com quem encontravam por ali, surpreendendo-se talvez com o fato de que tanto eles próprios quanto os outros compunham a mesma paisagem institucional – como personagens de uma mesma história. Enfim, era chegada a hora do confronto.

Sozinha, nossa torcida valia por uma banda de fanfarra – e mais todo um regimento de cavalaria. A surriada estridente de cornetas contrabandeadas, somada a
os risos e gritos animados da garotada – ora interrompidos, ora ampliados por exclamações (e reclamações) lançadas pelo treinador Luciano – funcionavam como uma inesperada arma secreta. Vibrávamos a cada lance, e tal vibração podia ser sentida por todos ali.

A princípio, impusemos alguma pressão sobre o adversário, o que aumentou nossa agitação e a curiosidade alheia. Mas a equipe da casa dispunha de jogadores com uma melhor qualidade técnica, resultantes de uma peneira de milhares, além de um contingente maior de reservas. Sofrer o primeiro gol seria uma questão de tempo.

E aqui cabe destacar a atuação memorável de nossos heróis. Começando pelo jovem goleiro Sávio, fundamental na contenção da artilharia adversária. Os números teriam s
ido outros se não contássemos com ele. Rafael, Cássio, Felipe, Israel, Vinícius, Antônio, Samuel, Jonatas, Matias e Diogo representaram nossa unidade no torneio. Ter aceitado o desafio, em condições tão desiguais, já os tornava merecedores de reconhecimento.

O bombardeio de chutes contra nossa meta teve início. Nossos jogadores contra-atacavam, sem medo, e até com certa ousadia. Entretanto, a equipe aniversariante, valendo-se de suas vantagens, abriu o marcador.

Uma vez, num comentário sobre a solitária vida do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, alguém disse que a diferença entre ter um único amigo na vida e amigo
nenhum é um deserto de aflição intransponível. Poder-se-ia afirmar algo semelhante sobre sair de uma partida sem marcar gols.

Já nos encontrávamos na segunda etapa do jogo e nosso adversário, até o momento, tinha marcado oito vezes. Nossa torcida – que antes gritava e aplaudia – agora também calava. Num momento de silêncio, um filisteu atirou a seguinte pedrada: “Pelo menos você ganharam um passeio de ônibus para conhecer a cidade grande!”. Foi aí, que, de uma roubada de bola, seguida de um passe rápido e uma leve ajeitada, irrompe aquele chute certeiro – dos pés de Samuel.

Em sua curta trajetória no ar, em seu breve voo, de pouco mais de um palmo de altura, aquela coisa, “toda feita de curvas”, foi aterrissar no fundo da rede adversária, antes passando entre as pernas do goleiro, para explodir em dezenas de gritos de alegria e alívio – nosso big-bang particular, o fim de nossa travessia pelo deserto da não-existência.


Que perdemos a partida não se discute. Mas o jogo, o grande jogo da vida, ah, cara pálida, desse saímos vencedores. Isto pelo simples fato de havermos escrito, ali juntos, um dos primeiros capítulos da nossa história – que diga-se de passagem está só começando.

Texto: Bruno José e Luciano Antonacci.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Crônica: Abaixo o “Abracadabra”: em Defesa do Pensamento Crítico


Dizem por aí – e até já se discutiu o assunto em termos científicos – que a única lei que brasileiro respeita mesmo é a lei do menor esforço. Generalizações assim são sempre muito arriscadas – sejam elas pronunciadas no botequim ou no meio acadêmico – e, quase sempre, são responsáveis por encaminhar qualquer debate a um final infeliz. No entanto, se essa perigosa anedota sobre o nosso tão criticado “jeitinho brasileiro” não é de toda verdadeira, serve ao menos para entabular uma discussão a respeito de práticas recorrentes entre nossos jovens (e também adultos) em sala de aula.
Há algumas semanas, um professor (de física) amigo meu protestava contra os usos e abusos, por parte de seus alunos, da “regra de três”, dizendo que estes a estavam aplicando para resolver os mais improváveis problemas. Por exemplo: diante de questões simples sobre velocidade ou aceleração, que se poderiam solucionar com equações prontas para serem usadas, bastando para isso identificar suas variáveis e fazer substituições, os alunos insistiam em usar regra de três. “É regra de três pra tudo agora!”, exclamava meu amigo professor (de física), “daqui a pouco vão usar regra de três pra somar 2 com 2”.
Segundo o angustiado mestre, não há nada de errado com a tal regra: a “dita cuja” serve para solucionar muitos problemas – uma espécie de penicilina algébrica, quase um bombril do mundo da matemática. O problema reside é em seu uso indiscriminado, que redunda provavelmente tanto da resistência ao esforço de pôr em prática o que se acabou de ensinar, quanto do anseio aparente de livrar-se o quanto antes da tarefa.
Mais amparado pelo que tenho visto e ouvido por aí, que por teorias científicas – arrisco um palpite: essa tal resistência parece ter suas raízes fincadas em certa antipatia a qualquer dúvida lançada sobre nossas confortáveis verdades. Uma espécie de mal-estar resultante da constatação de que há limites em nosso conhecimento, de que, enfim, não podemos saber tudo (e temos raiva de quem sabe) – coisa que no fundo afeta, em diferentes proporções, a todo ser humano. Aliado a isso, o anseio por soluções rápidas nos faz evitar o trabalho de pensar em profundidade.
Que fazer então (no nosso caso)? Gosto de pensar que – por fazermos parte de uma instituição federal de ensino, referência em todo estado e também no país, com 100 anos de tradição – nosso destino tem de ser grandioso. E, nesse sentido, devemos nos empenhar e aceitar desafios, enfrentar obstáculos, avançar para além de nossos limites. Nessa batalha travada no campo do saber, apenas os bravos têm vez – bravos por, entre outros feitos, suportar a própria insipiência e marchar rumo à superação. Caso tal pensamento não agrade por seu teor épico – e um tanto megalomaníaco – lancemos mão de sóbrias (e também sombrias) estatísticas: em pesquisa recente, fomos considerados o segundo pior país do mundo em conhecimento de matemática – figurando até mesmo atrás de países como a Etiópia. Dramático, não? Pois é. Bem-vindo à nossa realidade. É contra esses indicadores que lutamos.
O que queremos aqui não é ridicularizar ninguém nem abominar o uso de recursos que facilitem a resolução de problemas em sala de aula, mas exortá-los de que o pensamento curioso, investigativo, disciplinado, criativo, enfim, o pensamento crítico deve ser encarado (e praticado) como o mais poderoso recurso a ser usado a favor do conhecimento.
E, de agora em diante, na hora da prova (de física), pensem bem se usar ou não a regra de três é mesmo a melhor opção – “Hey, kids! Leave the teacher alone!”.

Bruno José – 31/05/09